Universidade Federal do Paraná
Programa de Pós-Graduação em Métodos Numéricos em Engenharia
Aluno: Romulo de Aguiar Beninca
O código-fonte está disponível em: https://github.com/rbeninca/cfd1
Publicação: https://rbeninca.github.io/cfd1/prova
Conforme estudado no Capítulo 3, em relação a um fenômeno real, os erros envolvidos em um resultado numérico podem ser classificados a partir da comparação entre o fenômeno observado, o modelo matemático adotado e a solução numérica obtida.
No contexto da difusão de calor transiente, as formulações explícita, implícita e totalmente implícita diferenciam-se pela forma como o termo temporal é tratado durante o processo de integração no tempo, conforme a formulação geral em função do parâmetro θ, apresentada no Capítulo 4.
A difusão numérica e a dispersão numérica são manifestações dos erros de discretização introduzidos no processo de aproximação dos termos convectivos das equações de transporte, conforme discutido no Capítulo 6.
No Método dos Volumes Finitos, as funções de interpolação são utilizadas para estimar os valores das variáveis nas faces dos volumes de controle a partir dos valores conhecidos nos centros, sendo essenciais para o cálculo dos fluxos convectivos.
As principais funções de interpolação discutidas no Capítulo 6 são:
A seguir, apresentam-se as definições matemáticas de duas dessas funções de interpolação.
Conforme discutido no Capítulo 7, a correção adiada é uma técnica utilizada no Método dos Volumes Finitos cujo objetivo é empregar um esquema de alta ordem para os termos convectivos, mantendo a estabilidade numérica de um esquema de primeira ordem.
Na prática, a correção adiada consiste em utilizar um esquema de primeira ordem, como o Upwind de Primeira Ordem (UDS), na montagem da matriz principal do sistema, enquanto a diferença entre o esquema de alta ordem (por exemplo, CDS) e o esquema de primeira ordem é incorporada apenas no termo-fonte.
Ao aplicar a correção adiada, modifica-se apenas o termo-fonte da equação discretizada, enquanto os coeficientes da matriz permanecem inalterados. Dessa forma, mesmo que o problema seja linear do ponto de vista matemático, ele torna-se numericamente não linear, sendo necessário recalcular os termos-fonte a cada iteração.
A utilidade da correção adiada está em permitir a obtenção de soluções de segunda ordem de acurácia ao empregar β = 1, mantendo a estabilidade típica de esquemas de primeira ordem e evitando as instabilidades numéricas associadas ao uso direto de esquemas de alta ordem.
Em escoamentos incompressíveis, a pressão não possui uma equação explícita de transporte. Assim, é necessário utilizar métodos de acoplamento pressão-velocidade para transformar a equação de conservação da massa em uma equação para a pressão, garantindo que o campo de velocidades satisfaça simultaneamente a equação de quantidade de movimento e a continuidade.
Para esse fim, diferentes métodos de acoplamento pressão-velocidade foram propostos na literatura, destacando-se:
Em métodos de acoplamento pressão-velocidade, o objetivo é obter um campo de velocidades que satisfaça simultaneamente a equação de quantidade de movimento e a equação de conservação da massa. Para isso, parte-se de um campo estimado de pressão (p*), que não satisfaz a continuidade, mas cuja solução da equação de quantidade de movimento fornece um campo estimado de velocidades (u*).
No método SIMPLEC, admite-se que as correções de velocidade nas faces sejam iguais à correção no centro do volume de controle, isto é:
Essa hipótese simplifica a relação entre as correções de velocidade e a correção de pressão, permitindo obter uma expressão direta para o coeficiente diferencial associado ao volume de controle p.
A partir da equação discretizada da quantidade de movimento, o coeficiente diferencial do SIMPLEC é dado por:
Com esse coeficiente, constrói-se a equação de correção de pressão, permitindo atualizar o campo de pressão e corrigir o campo de velocidades até que a equação da continuidade seja satisfeita em todos os volumes de controle.